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17 de agosto de 2014

Porto 2014/2015

O FC Porto parece ter percebido o que correu mal na época passada, e o que podia inverter no imediato para se tornar mais sólido no futuro.

A estrutura do Porto, e da generalidade dos clubes portugueses, baseia a sua competitividade e crescimento na compra barata e na venda cara. Durante muito tempo foram reis e senhores neste campo, praticamente abandonando a formação, granjeando  reputação internacional, com os jogadores contratados a ficaram com a clara esperança de saída rápida par um clube maior.

As novas regras de fair-play financeiro e a diminuição geral de receitas na Europa vieram prejudicar o arranjinho. Agora nem Portugal é tão atractivo como anteriormente era, nem os clubes médios/grandes de outras ligas europeias procuram comprar o jogador já feito, optando cada vez mais por também formar jogadores. Isto veio prejudicar duplamente o Porto, que perdeu alguns dos clubes compradores, e ganhou competidores na prospecção.

Para convencer jogadores há que lhes dar algo que lhes leve a crer que será melhor jogar em Portugal que numa liga maior. Qual foi a solução portuense? Lopetegui.

Outro treinador sem credenciais e experiência? Talvez, mas com muitos contactos, com muitos conhecimentos, e já com muitas horas de trabalho com quem se espera serem as futuras estrelas da selecção espanhola. É provável que algumas das contratações actuais apenas se devam à presença deste treinador, e apenas por isso Pinto da Costa parece ter voltado a acertar em cheio.


Para a baliza entram Ricardo e o primeiro de seis espanhóis, Andrés Fernández. Fabiano parecia o natural sucessor de Hélton, mas o final da época passada mostrou que nem toda a massa adepta tinha a mesma opinião. As contratações parecem não ter definido uma hierarquia, e assim parece continuar. Fabiano estará sempre a olhar por cima do ombro, pois qualquer um dos colegas parece ter argumentos para segurar a baliza, pelo menos até se ter a certeza que Hélton não volta.

No centro da defesa sai Mangala por uma batelada de guito e Abdolaye, que nunca convenceu, entram Indi e Marcano. À primeira vista parece que o Porto ficou a perder, mas a recuperação de Maicon, o talento que parece ter Indi e a segurança que se reconhece a Marcano parece que chegam para elevar a qualidade da defesa, especialmente porque finalmente se encontraram alternativas a Danilo (Opare) e Alex Sandro (Ángel) para aliviar a carga de jogos que ambos tiveram na época passada. Parecem seguros para suplentes, mas não alternativas imediatas para a titularidade. Ainda há Reyes, mas não sei por quanto tempo.

No meio sai Fernando, pilar da equipa, sendo substituído por Casemiro... ou por Rubén Neves, totalmente desconhecido este júnior que sai da formação directamente para os AA e faz uma pré-época entusiasmante com sequência no primeiro jogo oficial da temporada. Seja qual for a opção, à primeira vista parece que o clube pode ficar tranquilo, havendo mesmo a oportunidade de valorizar um activo da casa, ao invés dum emprestado, que ainda torna a substituição mais interessante. Defour já partiu, mas parece nunca ter feito falta. Herrera fez um grande mundial, e parece que é desta que finalmente se encontrou o substituto de Moutinho. Mais ofensivos temos Quintero e Óliver, sendo que a preferência do treinador parece recair no espanhol, se bem que Carlos Eduardo também tem dado boas indicações, e ainda há Evandro que pode entrar na equipa sem comprometer.

Nas alas aparecem Tello, Brahimi, Quaresma e Sami, num quadro que parece o oposto da época passada. As soluções são muitas e boas, havendo ainda Adrán que também pode descair numa das alas ao mesmo tempo que parece ser o suplente natural de Jackson. Suplente caro, mas mesmo assim parece ser o jogador mais desenquadrado da equipa.

Assim, depois duma boa pré-época, com bons resultados e futebol agradável o Porto, que se vê na posição pouco habitual de não defender o título nacional, parte com enormes esperanças na sua reconquista. Uma equipa jovem e recheada de soluções para todas as posições parece ser rastilho suficiente para alimentar essa chama. Agora resta esperar e ver se toda a teoria dá certo, pois boa parece mesmo que é.
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18 de abril de 2014

O Renascer das cinzas

Sporting, Liverpool e Roma partiram para esta época apenas com ambições de conquistar títulos a nível interno. As três falharam o acesso às competições europeias após anos desastrosos.

Ora, se falhar uma Liga dos Campeões ou uma Liga Europa traz enormes prejuízos financeiros, a equipa poderá tirar partido de um menor desgaste físico em relação aos seus adversários.
A poucas semanas de os principais campeonatos da Europa estarem a terminar, assistimos a algo que poucos (ou nenhuns) esperavam no início de Agosto. O Liverpool, que actualmente deve ter triplicado o seu número de fãs, está a um pequeno passo de conquistar o título inglês, algo que lhe foge desde 1990, ultrapassando os tubarões milionários do City e do Chelsea. Em Itália, e embora já praticamente afastada do título, a Roma ocupa o segundo lugar de forma isolada, sendo que chegou a ser líder durante as primeiras jornadas do campeonato. Para quem acabou a época passada num tímido sexto lugar, não será de todo uma época perdida. À semelhança da Roma, o Sporting também tem quase garantido o segundo lugar, o que lhe dará entrada directa na Champions. Depois da pior classificação de sempre da sua história, o Sporting tem apresentado uma consistência nada habitual nos últimos anos (lembram-se do medo de jogar em Alvalade? Este ano ainda não perderam em casa), e que até poderia ser campeão, não estivesse no mesmo campeonato deste Benfica. Na nossa vizinha Espanha, embora em condições diferentes dos anteriores clubes, o Atlético de Madrid lidera o campeonato (última vez campeão em 96) e está ainda numa meia-final da Liga dos Campeões. Poderíamos ainda referir o Arsenal, que até certa altura sonhou com o título, mas que acabou por deixar fugir o comboio dos primeiros.

Em curva descendente podemos referir o Porto, o Barcelona, o Manchester United e o Milan, que podem acabar a época sem nenhum título de relevo e até mesmo falhar as competições europeias (para o ano quem sabe se não estaremos a falar do renascimento do United?).

Ao que parece, falhar uma competição europeia durante um ano até poderá ter um efeito positivo nas equipas, mas só o futuro dirá se esta época foi um mero acaso ou o início de uma nova era.


Em relação à próxima época, será interessante assistir a uma Liga dos Campeões com estes clubes, e ao que todos esperamos, de novo com três equipas portuguesas na fase de grupos.
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17 de abril de 2014

Formar Para Ganhar

A formação no futebol, é um tema que poderia ser mais abordado na comunicação social. Sobre a formação, podemos enumerar as suas vantagens, como uma possível garantia da qualidade nas selecções nacionais, ou que é uma forma de evitar a contratação de dezenas de estrangeiros (muitos deles desconhecidos) para um plantel. Por outro lado, também podemos referir que é uma política que nem sempre traz retorno financeiro e que poderá demorar a ser bem-sucedida, o que leva as equipas a optarem por outros caminhos.

Em Portugal, foi da academia do Sporting que saíram alguns dos melhores jogadores do nosso país. Se o Sporting os aproveitou da melhor maneira, ou se deles conseguiu bons encaixes financeiros, a conversa já é outra. Actualmente, e fruto do investimento na formação, as camadas jovens do Benfica têm dado que falar, seja pelos bons resultados obtidos, seja pela grande presença nas convocatórias nacionais.
No entanto, a transição de júnior para sénior (embora as equipas B atenuem esse efeito), continua a ser o problema para muitos jovens desportistas. Uns perdem-se em empréstimos sucessivos, outros arruínam praticamente as suas carreiras através de (maus) empresários, outros não aguentam a mudança de ritmo e de pressão.

No campeonato nacional, temos assistido a uma maior aposta das equipas nas camadas jovens, ou em jogadores no seu 1º/2º ano de sénior. Veja-se a boa carreira do Vitória de Setúbal, onde se têm destacado jogadores como João Mário ou Ricardo Horta.
Em relação ao futuro dos três grandes, o Sporting parece ser o que irá continuar a apostar forte na formação, o que poderá permitir ao clube encaixar bons encaixes financeiros e diminuir o fosso para Porto e Benfica. Em meio ano, conseguiram potenciar e lucrar com o Bruma e o Ilori, e neste ano, William e Mané seguem o mesmo caminho. Quanto ao Benfica, é provável que pouco a pouco vá apostando nos seus jovens, mas não é algo que aconteça de uma época para outra. Já o Porto, e tendo em conta o passado recente do clube, não é muito expectável vermos um jovem produto da formação na equipa principal.

Poderá uma equipa ganhar títulos só apostando na formação, ou tem de juntar a ela experiência e jovens com talento de outros países? Até que ponto é rentável apostar na formação?
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27 de março de 2014

Crónica duma derrota anunciada.

Ontem jogou-se mais um Porto-Benfica. Este ano dá-se a raridade do Benfica partir como favorito para estes clássicos, mas Jorge Jesus faz o trabalho de os equilibrar. Jogar com alguns suplentes é uma estratégia com poucas desvantagens, se perdes é porque jogaste com a equipa B, se ganhas acabas por dar uma humilhaçãozinha ao adversário.
 
Jesus tem-se salvaguardado na opção pelo campeonato para fazer esta rotação, diz que aprendeu, no entanto todo e qualquer adepto do Benfica deve lembrar-se que este já era o discurso da época passada, e mesmo de há duas épocas. Olhando mais a fundo, a própria rotação é um decalque da época passada, pois já aí era feita com esta falta de parcimónia. Esta época nota-se mais uma ou outra embirraçãozinha que ditará certamente mais alguns dissabores. Maxi começa a ficar estoirado e a distribuir pancada, mas Jesus implicou com o André Almeida depois das suas declarações sobre o comboio para o Mundial, para piorar deixou de ser agenciado pelo propalado superempresário Jorge Mendes que foi a gota de água que fez transbordar o copo. Esta época não voltará a calçar, possivelmente poderá nem voltar a calçar com Jesus, com prejuízo óbvio para o Benfica e para a rotatividade da lateral direita. Não há descanso para os centrais, que têm jogado praticamente todos os jogos. A rotatividade do meio tem-se limitado a apenas um jogador, excepto por impossibilidade de Fejsa.
 
Ainda há algum campeonato para jogar, e ontem já se notou que, querendo fazer descansar jogadores, há muito por onde melhorar.
 
Luís Castro, de interino a principal?
 
Sou um admirador das capacidades e estilo de Luís Castro. Para ser honesto só comecei a seguir o seu trabalho esta época com a equipa B, mas impressionou-me pelo discurso e pela forma como colocou uma equipa aparentemente frágil a jogar à bola como gente grande. Não esperava que tivesse este teste de fogo, mas quem o esperava no início da época?
 
Luís Castro é um treinador à Porto. Bem falante, auto-confiante, inteligente. Sabe quem manda na casa, não inventa. Tem uma enorme capacidade motivacional e é rato na forma como arma as equipas. Neste momento apenas a popularidade joga contra ele, pois Pinto da Costa está, agora podemos dizê-lo com menos dúvidas, em fase descendente da carreira e pode tentar, pelo populismo, ir buscar o Marco Silva, o treinador que os portistas desejam, ganhando mais algum tempo de calma como presidente. Vamos ver.
 
O que é certo é que o Porto está novamente a jogar à bola. Voltou à fórmula clássica de apenas um trinco e dois médios completos, tem agora um criativo nas alas (Quaresma), para dar aquele toquezinho de classe que faltava anteriormente, e mal Jackson volte ao que era, provavelmente o Porto também passará a outro patamar futebolístico.

Ontem dominaram o jogo por completo. A rotatividade do Benfica não resultou bem, mas não explica tudo. Amorim tem aquele estilo de veludo, que o torna mais permeável em jogos rasgadinhos como o de ontem, e o Fejsa sozinho tem tendência a se encostar mais aos centrais. Ontem viu-se muito isso. Ninguém caiu na sua área, Amorim não foi incisivo na pressão, Fejsa baixa a linha e fica na zona de ninguém.

No ataque notou-se o medito do Salvio, que até começou bem, mas mal levou uma entrada mais dura (salvo erro do Herrera) encolheu-se até ser substituído. Custa-me a imaginar o Suleimanj dos 16M, Cardozo está completamente fora de forma.

O Porto não tem culpa disso e fez o seu trabalho. Pressão alta e rápida, tirou bola ao Benfica e fez o seu jogo. A espaços o Benfica ainda tentou aparecer, mas de forma inconsequente. Um cabeceamento à baliza como cartão de visita é claramente pouco. Podiam ter perdido por mais.

Se o jogo fosse a sério seria muito equilibrado, e fico à espera do jogo do Campeonato, onde espero um enorme espectáculo com as duas equipas a jogar na máxima força.

Que ganhe o melhor!
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13 de março de 2014

Liga Europa - Oitavos de Final



Vem ai mais uma ronda da Liga Europa. Jogam-se os Oitavos de Final, com vários jogos dignos da Final, final essa que se irá disputar no Estádio da Juventus, que poderá assim jogar a final em casa, depois de ter sido regalada pelo Galatasaray para a Liga Europa.

Mas será que as equipas estão realmente interessadas na Liga Europa? Jorge Jesus na conferência de imprensa antes do jogo com o Tottenham, disse que o seu foco era o Campeonato. Na eliminatória passada aproveitou e poupou alguns dos seus titulares. O mesmo se verifica com a maioria das outras equipas. Nápoles e Fiorentina lutam pelo acesso à Liga dos Campeões em Itália, e o mesmo se passa com o Tottenham na Liga Inglesa. Mas porque é que as equipas não dão tanta importância à Liga Europa? Ou apenas aproveitam os jogos com equipas supostamente mais fracas para dar algum descanso aos seus jogadores e com os serviços mínimos garantir o acesso às fases seguintes?

Com alguns jogos bastante interessantes já nesta eliminatória, veremos que estratégia terão os treinadores. Para já, fica aqui a aposta de Toque Mágico para esta eliminatória:

Ludogorets Razgard - Valência
O Ludogorets está a ser uma das surpresas nesta Liga Europa., sendo que ainda não têm qualquer derrota! Na ronda anterior eliminaram a Lázio, e na fase de grupos deixou o PSV e Dínamo de Zagreb de fora da Liga Europa. O Valência está a ter uma época complicada, mas conseguiram chegar com relativa facilidade à fase a eliminar, tendo derrotado o Dinami Kiev na ronda anterior. Posto isto, deverão ser dois jogos bastante renhidos, sendo que no final, a maior experiência do Valência irá superar o Ludogorets.
Aposta Vencedor: Valência

Basileia - Salzburgo
Aposta Vencedor: Salzburgo

Porto - Nápoles
Duas equipas que vieram da Liga dos Campeões e que dispensam apresentações. Porto não tem estado tão bem este ano, e o Nápoles, que se reforçou bem no Verão, está a fazer uma boa época, tendo ganho os seus 3 jogos da Champions em casa, frente ao Arsenal, Borussia e Marselha. Contudo isto não foi suficiente, e mesmo com 12 pontos, acabaram regalados para a Liga Europa. Com o Porto mais fraco dos últimos anos, e contra um Nápoles fortíssimo em casa, os Dragões não deverão ter grandes hipóteses nesta eliminatória, ainda para mais com um derby super decisivo a meio da eliminatória, em Alvalade, que poderá decidir o 2º classificado da Liga Portuguesa.
Aposta Vencedor: Nápoles

Sevilha - Bétis
Aposta Vencedor: Sevilha

AZ - Anzhi
Aposta Vencedor: AZ

Juventus - Fiorentina
Aposta Vencedor: Juventus

Tottenham - Benfica
O Benfica defronta a antiga equipa de André Vilas Boas, a qual não tem estado muito melhor desde a saída do treinador Português. O Benfica que conseguiu facilmente eliminar o PAOK na ronda anterior, ao contrário do Tottenham, que teve sérias dificuldades para eliminar o Dnipro. Contundo, é sempre uma equipa complicada, vai ser uma eliminatória bastante renhida, mas deverá pender para a equipa da Luz, que tem demonstrado bom futebol, principalmente a jogar no seu Estádio.
Aposta Vencedor: Benfica

Lyon - Plzen
Aposta Vencedor: Lyon

E vocês, quais as vossas apostas?



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9 de março de 2014

Atropelo e fuga terá "bonfim"?


Domingo em grande, com os três grandes em ação.

Ainda com o sol a raiar iniciaram-se as partidas que envolviam os dois primeiros classificados da tabela, ambos com tarefas complicadas. Mais tarde, e com tarefa teoricamente mais fácil, o Porto regressava aos jogos da primeira liga após o desaire de Guimarães e na ressaca do despedimento de Paulo Fonseca.

Com Luís Castro a estrear-se ao comando do Porto, os azuis e brancos despacharam o Arouca por expressivos 4-1. Resulto enganador para o que se passou em campo. O Porto abriu o ativo por Quaresma na conversão de uma grande penalidade (começa a ser imagem de marca!) tendo ampliado para 2-0 por Carlos Eduardo. Ainda no primeiro tempo, Rui Sampaio reduziu para 2-1 e devolveu incerteza ao marcador. Ao mesmo tempo reavivaram-se fantasmas sobre a equipa que nem (mais) uma grande penalidade - desperdiçada incrivelmente por Quaresma - conseguiu afastar. Na segunda parte a exibição do Porto deixou muito a desejar e, após oportunidades nas duas balizas e já próximo do final da partida, Quaresma (primeiro) e Jackson Martinez (depois) selaram o resultado final.

Antes do jogo do Dragão já o Sporting (com a surpresa de Montero no banco) deixara dois pontos em Setúbal. Jogo muito polémico em que dos quatro golos só um não é duvidoso (a bola de Slimani que resulta no 1-0 parece não entrar na baliza), já que todos os outros parecem irregulares (por fora de jogo de Rafel Martins ou inexistência de falta para marcação de grande penalidade nos lances que originaram os golos de Adrien Silva e Ricardo Horta). Já antes um golo limpo foi invalidado a Adrien Silva. No meio de tanta polémica (que fará correr tinta ao longo da semana) fica a clara sensação de que o Sporting não fez tudo o que devia para conquistar os três pontos, num campo e contra um adversário que já se sabia seria muito difícil.

Ao mesmo tempo o Benfica despachou o Estoril (sensação da Liga) por duas bolas a zero, com Luisão e Rodrigo a assinarem os golos. Com o Estádio da Luz a apresentar uma excelente casa (mais de 56 mil espetadores) - com adeptos muito animados - o Benfica cedo mostrou ao que vinha e assinalou uma excelente exibição perante um Estoril com muita bola e poucas ideias. O Benfica desperdiçou várias ocasiões e só um golo mal anulado a Lima impediu que o marcador atingisse números mais expressivos.

Com estes resultados o Benfica é (ainda) líder, alargando para 7 pontos a diferença pontual para o Sporting e mantendo os 9 pontos de avanço para o Porto.
Um boa exibição, "atropelando" a sensação do campeonato e fugindo ao perseguidor mais direto. Será que este ano o jogo com o Estoril marcará o início de um "bonfim"? Ainda é cedo para responder e cá estaremos para ver o que as últimas jornadas nos reservam, sendo que a próxima acena já com apetitosos (e decisivos?) Sporting-Porto e Nacional-Benfica!

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7 de março de 2014

22.ª jornada à lupa

Estádio da Luz recebe jogo grande da 22.ª jornada
A 22.ª jornada da Liga Zona Sagres arranca esta noite, às 20h00, com um Rio Ave - Académica. Um encontro que, em caso de vitória dos vilacondenses representará a garantia da permanência no escalão máximo do futebol nacional.

Mas os grandes aperitivos desta ronda estão reservados para domingo, quando os três grandes entrarem em campo. Dragão (às 19h15) e Luz (às 17h00) serão os alvos das principais atrações. No Porto espera-se com ansiedade o resultado da chicotada psicológica que afastou Paulo Fonseca do comando e colocou no leme Luís Castro.

Pela frente o campeão nacional vai ter o Arouca de Pedro Emanuel, que deverá ser presa fácil e poderá servir para reabilitar a moral de um Dragão ferido. A equipa de Arouca tem uma missão difícil pela frente, mas a verdade é que começam a faltar-lhe jornadas para assegurar a permanência no escalão principal em ano de estreia.

O prato principal da jornada será servido na Luz. Frente a frente 1.º e 4.º classificado. O Benfica de Jorge Jesus vai receber o surpreendente Estoril (39 pontos, 11 vitórias, 6 empates, 4 derrotas). O líder isolado do campeonato tem pela frente um adversário complicado que esta época já roubou cinco pontos ao FC Porto (2 no António Coimbra da Mota e 3 no Dragão) e dois ao Sporting (0-0 no António Coimbra da Mota).

Estoril que surgirá na Luz não só motivado por mais uma excelente prestação no campeonato, mas também pelos rumores que dão como certo o treinador Marco Silva no FC Porto a partir da próxima época. O jovem treinador não quererá, com toda a certeza, deixar os seus créditos por mãos alheias e tudo irá fazer para que os seus pupilos voltem a dar uma excelente réplica aos encarnados.

O Sporting, por seu turno, desloca-se a Setúbal para defrontar o Vitória local, procurando dar continuidade aos bons resultados e tentar a aproximação ao líder, que jogará à mesma hora (17h00). Leonardo Jardim tem uma grande dor de cabeça para gerir já que Heldon e Maurício podem falhar o clássico da próxima jornada se virem amarelo em Setúbal.

Nos restantes jogos, o Braga recebe amanhã o Nacional, enquanto o Belenenses se desloca a Olhão. O Paços de Ferreira - Gil Vicente é o outro jogo agendado para domingo, enquanto o Marítimo - Guimarães (20h00) encerra a jornada 22 na segunda-feira.

À partida para esta jornada a classificação está assim:
PosClubeJVEDPts.
1Benfica21164152
2Sporting21145247
3Porto21134443
4Estoril21116439
5Nacional21810334
6V. Guimarães2193930
7Braga21831027
8Marítimo2176827
9Académica2176827
10V. Setúbal21741025
11Rio Ave21651023
12Gil Vicente21641122
13Arouca21471019
14Belenenses21371116
15Olhanense21441316
16P. Ferreira21441316

Deixamos, de seguida, os jogos, horários e transmissões televisivas da jornada.

JORNADA 22
RIO AVE07/MAR
20H00
SPORTTV
ACADÉMICA
BRAGA08/MAR
20H15
SPORTTV
NACIONAL
OLHANENSE09/MAR
16H00
BELENENSES
P. FERREIRA09/MAR
16H00
GIL VICENTE
BENFICA09/MAR
17H00
BENFICA TV
ESTORIL
V. SETÚBAL09/MAR
17H00
SPORTTV
SPORTING
PORTO09/MAR
19H15
SPORTTV
AROUCA
MARÍTIMO10/MAR
20H00
SPORTTV
V. GUIMARÃES
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6 de março de 2014

A falta que faz um 8

Para perceber o que foi o FC Porto de Paulo Fonseca, ou melhor, para o que não foi, é preciso olhar para aquela que foi a grande pedra no sapato do jovem treinador: a falta de um número 8.

Durante as últimas três temporadas, à semelhança do que já fizera com a camisola do Sporting, João Moutinho foi o principal construtor de jogo dos Dragões. Rápido a recuar no terreno para recuperar a bola, inteligente na leitura da jogada de ataque e na desmarcação dos colegas, Moutinho era o compasso que permitia manter a orquestra azul e branca a tocar de forma afinada e sempre ao mesmo ritmo.

Com a saída do número 8 para o Mónaco, durante a pré-temporada, surgia a questão do sucessor. Josué era, pelo menos no dorso da camisola, o 8 natural. Chegado do Paços de Ferreira, juntamente com o treinador, caber-lhe-ia a tarefa de fazer esquecer Moutinho, assumindo-se como o patrão do meio-campo.

O problema é que, no terreno de jogo, Josué deixou os créditos por mãos alheias. Em 28 jogos desde início da época - incluindo competições europeias, campeonato, Taça da Liga e Taça de Portugal - Josué apenas por seis vezes actuou o jogo inteiro, além de acumular mais oito jogos em que foi suplente não utilizado.

Com o baixo rendimento de Josué, Paulo Fonseca procurou então em Lucho González a solução para reanimar o meio campo azul e branco. Não obstante a elevada qualidade do argentino, os 33 anos de Lucho já não lhe permitem a velocidade de Moutinho.

Se ao meio campo do FC Porto faltava lucidez na hora de dinamizar o ataque, os problemas de Paulo Fonseca agudizaram-se com a saída de Lucho em Janeiro, para o Al-Rayyan (Qatar). Desde a saída do argentino, em 11 partidas o FC Porto perde por duas vezes (Marítimo e Estoril para o campeonato) e soma três empates (duas vezes com o Eintracht Frankfurt para a Liga Europa e com o Vitória de Guimarães). Com a agravante de que tanto no Estádio do Dragão com o Frankfurt como em Guimarães contra o Vitória, os campeões nacionais foram incapazes de segurar uma vantagem de dois golos.

Se a saída de Paulo Fonseca - que desgastado pedira a demissão pela terceira vez - é a solução mais fácil para o problema, sobretudo numa altura em que o mercado de contratações está fechado, a grande questão é a de como irá Luís Castro resolver o problema do meio campo azul e branco até final da temporada.

Será o ex-treinador da equipa B capaz de encontrar no actual plantel um verdadeiro 8, capaz de olear novamente a engrenagem portista e, assim, voltar aos resultados positivos?
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5 de março de 2014

O fim de Paulo Fonseca: balanço e razões para o fracasso

Chega ao fim a aventura de Paulo Fonseca no FC Porto, tendo sido confirmada hoje à CMVM a rescisão do contrato. Luís Castro, até então treinador da equipa B dos dragões, fica interinamente no comando.


É altura de fazermos um balanço ao percurso no FC Porto, do treinador sensação da época passada.

Paulo Fonseca chega ao campeão nacional em Junho do ano passado. O percurso começa carregado de ambições e com o embalo de uma sensacional época no Paços de Ferreira, que culminou no 3º lugar e na melhor época da história dos “castores”. Apesar do êxito, Fonseca tinha no seu currículo apenas uma época no principal escalão nacional e uma inerente inexperiência.


O percurso de Paulo Fonseca:


Liga Zon Sagres:
13 vitórias
4 empates
4 derrotas

Supertaça de Portugal:
1 vitória

Liga dos Campeões Europeus:
1 vitória
2 empates
3 derrotas

Liga Europa:
2 empates

Taça de Portugal:
4 vitórias

Taça da Liga:
2 vitórias
1 empate

Total:
21 vitórias (57% do total de jogos)
9 empates
7 derrotas


Fonseca até começa a época com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira e uma bela exibição. Seguem-se 4 vitórias na Liga Portuguesa e a única vitória Europeia, perante o Austria de Viena. Curiosamente é no reduto do Estoril que começa o ciclo de maus resultados, ao qual se seguem sucessivos desaires Europeus com os comandados de Fonseca a não conseguirem historicamente ganhar um único jogo, no Estádio do Dragão. O FC Porto era eliminado da Liga dos Campeões sem brilho e com apenas 5 pontos, os mesmos do Austria de Viena que apenas permitia que os portistas seguissem para a Liga Europa pelo confronto direto.


Fonseca “ganha algum oxigénio” ao vencer o Sporting CP no Dragão, mas as exibições mal conseguidas e os erros defensivos sucedem-se. Os dois médios defensivos que Fonseca implementa geram polémica e o treinador vai alterando sucessivamente o 11 inicial. Quintero, que tinha ganho algum protagonismo no inicio da temporada, vai caindo para fora do lote dos convocados. Defour, Kelvin e mesmo Otamendi acabam fora das escolhas. O último destes acaba mesmo transferido para o Valência.


Depois do empate contra o Nacional e derrota contra a Académica em Novembro, Janeiro e Fevereiro são o fim de Paulo Fonseca. Com a eliminação da Liga dos Campeões, o FC Porto é derrotado na Luz perante uma superioridade clara do rival Benfica. Segue-se a derrota na Madeira contra o Marítimo, a derrota contra o Estoril no Estádio do Dragão (no qual o Porto não perdia para a Liga à 5 anos) e o último empate em Guimarães. Pelo meio, o apuramento para os oitavos de final da Liga Europa é conseguido, após empate a duas bolas no Dragão, apenas nos instantes finais do jogo de Frankfurt.


Durante todo este período o técnico não conseguiu criar um estilo de jogo próprio, segurar uma defesa que nos anos transatos era uma muralha chave do sucesso do clube, escalar as capacidades dos seus jogadores (exemplos são Quintero, Kelvin, Josué, Ricardo ou até um desinspirado Jackson Martinez)  e unir um grupo que várias vezes pareceu estar afastado do treinador. Num ingrato balanço final aos números, Fonseca acaba por conseguir vencer apenas 57% do total de jogos, número claramente insuficiente para um clube habituado sistematicamente a ganhar.


Um ciclo que após vários pedidos de demissão e uma inoperância total nas conferências de imprensa chega hoje, 5 de Março de 2014, ao inevitável fim.

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